Às Segundas

Um pedido ao qual dizemos que sim, apesar do cansaço. Uma conversa para a qual já não temos espaço. Um compromisso que aceitamos porque nos custa desiludir.

Enchemos a agenda. Pegamos no telemóvel. Resolvemos problemas que nem são nossos. Dizemos que estamos bem porque ainda não encontrámos palavras para dizer outra coisa.

Talvez porque aprendemos demasiado cedo a associar autonomia a força. Crescemos a acreditar que ser capaz significa resolver, suportar e continuar — sem incomodar ninguém com aquilo que sentimos.

Comparar faz parte da natureza humana. Mas, quando a comparação se torna um hábito, deixamos de olhar para a nossa própria caminhada.

PO - Paula Oliveira
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