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Vivemos numa sociedade que aprendeu a reconhecer o sofrimento sobretudo quando ele se torna visível. Associamo-lo ao choro, ao isolamento, à incapacidade de trabalhar, à perda de funcionalidade, à ausência de energia ou a mudanças comportamentais evidentes. Quando uma pessoa continua a cumprir horários, a trabalhar, a cuidar da família, a manter...

Vivemos numa sociedade que aprendeu a reconhecer o sofrimento sobretudo quando ele se torna visível. Associamo-lo ao choro, ao isolamento, à incapacidade de trabalhar, à perda de funcionalidade, à ausência de energia ou a mudanças comportamentais evidentes. Quando uma pessoa continua a cumprir horários, a trabalhar, a cuidar da família, a manter...

Há uma tendência silenciosa — e profundamente humana — de querermos ser compreendidos antes de fazermos o esforço real de compreender. É quase instintivo. Queremos ser vistos, validados, reconhecidos na nossa dor, nas nossas intenções, nas nossas razões. Queremos que o outro perceba o que sentimos, mesmo quando não o sabemos expressar com clareza.

PO - Paula Oliveira
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